Avaliação e tratamento de TDAH em adultos

8 outubro, 2024

O Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é doença mas se não diagnosticado corretamente, pode impactar negativamente nos relacionamentos, carreira e segurança de pessoas adultas.

De acordo com Judy Singer, as diferenças neurológicas são normais e não devem ser vistas como uma doença ou algo incapacitante, no entanto,  os sintomas de TDAH podem persistir na idade adulta, tem impacto significativo nas relações interpessoais, na carreira profissional e mesmo na segurança pessoal dos indivíduos que apresentam esse transtorno, afirma a New York University and Ronald C. Kessler na puplicação sobre a Importância do Diagnóstico para os Adultos com TDAH .

Segundo Rohde et al. (2000), a prevalência do TDAH situa-se em torno de 3% e 6% entre crianças em idade escolar e caracteriza-se pela tríade desatenção, hiperatividade e impulsivida. O diagnóstico de TDAH em adultos ainda é baseado nos critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), que enfatizam a presença de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade desde a infância. No entanto, os sintomas podem se manifestar de forma diferente em adultos, como procrastinação, dificuldades na organização e gerenciamento de tempo, e problemas com tarefas que exigem atenção sustentada

Para o diagnóstico de TDAH em adultos, utiliza-se o Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS), uma avaliação incial onde é observado os domínios de desatenção e hiperatividade-impulsividade em adultos, a partir daí, podemos aprofundar o diagnóstico, dependendo do resultado do teste de autoavaliação. Este teste inicial serve para triarmos a necessidade de uma investigação neuro psicológica mais profunda, onde observamos outros critérios como: idade precoce de início, antes dos 7 anos de idade (critério B), universalidade dos sintomas, isto é, manifestação em pelo menos dois ambientes diferentes (critério C), comprometimento funcional clinicamente significativo (critério D) e decisão clínica de os sintomas não serem mais bem atribuídos a outros transtornos (critério E), em especial transtornos do humor e ansiedade. Embora não seja amplamente utilizada na prática clínica, a neuroimagem funcional e a pesquisa de biomarcadores (como diferenças na conectividade funcional e na estrutura cerebral) estão emergindo como áreas promissoras de investigação para o diagnóstico e melhor compreensão da fisiopatologia do TDAH.

A investigação científica sugere apesar da grande incidêcnia do transtorno ser observado durante a infância e adolescência, os sintomas de TDAH podem persistir na idade adulta, com um impacto significativo nas relações interpessoais, na carreira profissional e mesmo na segurança pessoal dos indivíduos que apresentam esse transtorno. Por ser essa doença freqüentemente mal compreendida, muitos portadores não são corretamente tratados e, como conseqüência, nunca chegam a atingir seu potencial máximo. Em parte, isso se deve ao fato de que esta condição neurodivergente é de difícil diagnóstico, especialmente em adultos.


Tratamento de TDAH em Adultos

  1. Tratamento farmacológico:

    • Psicoestimulantes: O tratamento farmacológico mais comum continua sendo os psicoestimulantes, como o metilfenidato e as anfetaminas. Eles são eficazes para a maioria dos adultos e agem aumentando a disponibilidade de dopamina e norepinefrina no cérebro.
    • Medicamentos não estimulantes: Para aqueles que não respondem ou não toleram psicoestimulantes, medicamentos como a atomoxetina (um inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina) e a guanfacina (um agonista alfa-2 adrenérgico) são alternativas.
  2. Tratamento psicoterapêutico:

    • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): A TCC tem mostrado eficácia no tratamento de TDAH em adultos, particularmente na melhora da auto-organização, habilidades de resolução de problemas e controle emocional. As intervenções são frequentemente focadas em estratégias comportamentais para lidar com a desatenção e a impulsividade.
    • Treinamento de habilidades sociais: Muitos adultos com TDAH relatam dificuldades em interações sociais, o que pode ser abordado por meio de intervenções que desenvolvem habilidades interpessoais.
    • Mindfulness e Meditação: Estudos recentes indicam que intervenções baseadas em mindfulness podem ajudar a melhorar a atenção e o controle emocional em adultos com TDAH.
  3. Intervenções tecnológicas:

    • Aplicativos de gerenciamento de tempo e foco: Softwares e aplicativos móveis que ajudam no gerenciamento de tempo, organização e estabelecimento de metas estão sendo cada vez mais utilizados para complementar o tratamento do TDAH.
    • Neurofeedback: Esta técnica envolve a autorregulação da atividade cerebral por meio de treinamento com feedback em tempo real. Embora os resultados ainda sejam mistos, alguns estudos sugerem que pode haver benefícios, especialmente em termos de regulação emocional e foco.
  4. Modificações no estilo de vida:

    • Exercício físico: O exercício regular, particularmente atividades aeróbicas, tem demonstrado melhorar os sintomas de TDAH, incluindo atenção, controle de impulsos e humor.
    • Alimentação: Há algumas evidências de que a dieta, como a redução do consumo de açúcares refinados e a inclusão de ácidos graxos ômega-3, pode ter efeitos positivos sobre os sintomas de TDAH.
    • Sono: Manter um sono adequado é crucial, uma vez que distúrbios do sono são comuns em adultos com TDAH e podem agravar os sintomas.7

    Tendências Recentes e Pesquisas Emergentes

    1. Pesquisa genética e biomarcadores: A genética está desempenhando um papel cada vez mais relevante no entendimento do TDAH, com estudos investigando variantes genéticas associadas ao transtorno. Há também o interesse crescente em biomarcadores que possam ajudar a distinguir o TDAH de outras condições neuropsiquiátricas.

    2. Psicoterapia online: O uso de plataformas de terapia online e intervenções digitais tem sido uma área de crescimento, oferecendo flexibilidade e acessibilidade para adultos com TDAH que podem ter dificuldade em participar de sessões presenciais.

    3. Pesquisa em neuroimagem: A neuroimagem está avançando na tentativa de identificar circuitos cerebrais específicos envolvidos no TDAH, como o córtex pré-frontal e os circuitos dopaminérgicos. Esses avanços podem, no futuro, ajudar a personalizar o tratamento e melhorar a precisão diagnóstica.

      Desafios e Oportunidades

      Embora o TDAH em adultos esteja sendo cada vez mais reconhecido e tratado, ainda existem desafios relacionados à estigmatização e à falta de acesso a tratamentos adequados. A pesquisa continua a evoluir, e novos métodos de diagnóstico e tratamento, especialmente no campo da neurociência e das intervenções tecnológicas, prometem melhorar os resultados para os pacientes.

      Neste link ( https://forms.gle/sBd9Tskvnh3YKBCV7) você pode fazer uma autoavaliação incial para saber se há a presença de sintomas indicativos para avaiação do TDAH ou entre em contato para agendar uma hora comigo.


      Boas energias,

      Fabiana Borges




     

    O Poder da Autobiografia Orientada no Processo de Luto: Um Caminho para Mães que Perderam um Filho

    8 agosto, 2024

    Perder um filho é uma das experiências mais dolorosas e difíceis que uma mãe pode enfrentar. O luto que se segue a essa perda é único, profundo e, muitas vezes, indescritível. Em meio a essa dor, encontrar formas de expressar e processar essas emoções pode ser um desafio. É nesse contexto que a autobiografia orientada surge como uma ferramenta terapêutica poderosa, ajudando mães a navegarem pelo luto e a reconstruírem suas vidas de uma forma significativa.

    A Autobiografia Orientada: O Que é e Como Pode Ajudar

    A autobiografia orientada é uma metodologia que combina técnicas de escrita terapêutica com orientação psicológica. Desenvolvida para ajudar indivíduos a refletirem sobre suas vidas, essa abordagem permite que as mães enlutadas expressem suas emoções, explorem suas memórias e encontrem novos significados em meio à dor.

    Baseando-se na abordagem Life Design e nas técnicas de reminiscência instrumental, a autobiografia orientada oferece um espaço seguro para que essas mães possam revisitar suas histórias, integrando o passado, o presente e o futuro em uma narrativa coesa e curativa. Ao escrever sobre suas experiências, elas podem encontrar clareza, aceitação e, eventualmente, um caminho para lidar com a sua dor.

    Benefícios da Escrita Terapêutica no Luto

    1. Processamento das Emoções:

      • A escrita permite que as mães articulem sentimentos complexos que podem ser difíceis de expressar verbalmente. Escrever ou narrar a sua dor pode facilitar o processo de compreensão e aceitação das emoções envolvidas na perda.
    2. Criação de um Espaço de Memória:

      • Através da autobiografia, as mães podem revisitar memórias preciosas com seus filhos, criando um espaço de lembrança que honra a vida e o legado deixado.
    3. Reconstrução da Identidade:

      • A perda de um filho pode abalar profundamente a identidade de uma mãe. Escrever sobre a própria história permite que ela reconstrua essa identidade, agora marcada pela experiência do luto, mas também pela resiliência e pelo amor.
    4. Integração do Luto à Vida:

      • A autobiografia orientada ajuda as mães a integrarem o luto em suas vidas cotidianas, permitindo que sigam em frente sem esquecer o filho, mas aprendendo a viver com a ausência de uma forma que honre a memória.

    O Papel da Psicóloga na Autobiografia Orientada

    No contexto da autobiografia orientada, o papel da psicóloga é essencial. Ela atua como uma mediadora e facilitadora do processo de escrita ou narração, oferecendo suporte emocional, validando sentimentos e ajudando a mãe a encontrar novas perspectivas em sua narrativa. A psicóloga também ajuda a garantir que o processo seja terapêutico e não re-traumatizante, guiando a mãe através de momentos particularmente difíceis de sua história.

    Conclusão

    O luto pela perda de um filho é uma jornada dolorosa e muitas vezes solitária. No entanto, através da autobiografia orientada, as mães podem encontrar um caminho para a cura, expressando suas dores e ressignificando suas experiências. Com o apoio de uma psicóloga especializada, como Fabiana Borges, essa jornada pode se tornar uma oportunidade para reconstruir a própria história, integrando o luto de maneira saudável e significativa.

    Se você ou alguém que conhece está passando por esse processo, considere explorar a autobiografia orientada como uma ferramenta para enfrentar o luto. O processo de escrita/narrativa terapêutica pode ser um ato de amor e memória, que ajuda a transformar a dor em uma nova forma de viver e honrar a vida do filho que partiu.

    Se você gostaria de saber mais sobre como a autobiografia orientada pode ajudar no processo de luto, ou deseja participar do nosso programa "Narrativa Terapêutica", entre em contato conosco ou visite nosso instagran @narrativa_ia para mais informações.

     

    Qual a causa do Transtorno de Ansiedade?

    23 julho, 2024

    Qual a Causa do Transtorno de Ansiedade?


    Introdução: O Que é Ansiedade?

    A ansiedade é uma apreensão provocada pela antecipação de um problema (Garland, 2010). Em termos gerais, é uma reação natural do nosso corpo a situações de estresse e incerteza. Em níveis moderados, a ansiedade pode ser adaptativa, levando o indivíduo a se antecipar e a se preparar para lidar com desafios iminentes. No entanto, quando a ansiedade se torna excessiva ou persistente, pode interferir significativamente no bem-estar e no funcionamento diário.

    A ansiedade se diferencia do medo. Enquanto o medo é uma resposta imediata a um perigo presente, a ansiedade está ligada à antecipação de ameaças futuras, sejam elas reais ou percebidas. Quando uma pessoa sofre de distúrbios de ansiedade, ela pode sentir medo mesmo na ausência de um perigo concreto. Isso pode levar a disfunções no sistema de antecipação, preparação e prontidão para lidar com mudanças, tornando a adaptação a novas circunstâncias ainda mais difícil.

    No contexto das novas carreiras, a incerteza e a instabilidade do mercado representam ameaças constantes. A eminência do desemprego e a possibilidade de não conseguir se recolocar no mercado profissional são fatores que exacerbam a ansiedade. Este sentimento de insegurança pode se traduzir em medo de não conseguir assumir compromissos, sustentar a família ou cuidar da própria subsistência, entre outros medos mais subjetivos.


    Se você é um adulto em idade produtiva, veja as possíveis causas que podem gerar Transtorno de Ansiedade no âmbito da carreira:


    1. Mudanças Tecnológicas e Incertezas no Mercado de Trabalho

    Vivemos em um mundo onde a globalização, a inovação tecnológica e a mobilidade da força de trabalho são as novas normas. Este cenário, descrito por Hall e Doiron (2018), exige que os profissionais se adaptem constantemente e se reinventem. A incerteza e a instabilidade no emprego, especialmente em setores de alta tecnologia como o Vale do Silício, criam um ambiente de alta rotatividade e insegurança profissional.

    A sensação de que "o chão onde piso pode, de repente, se abrir como num terremoto", como descrito por Bauman (2004), é uma metáfora perfeita para a ansiedade que muitos trabalhadores sentem. A incerteza sobre a segurança no emprego e a constante necessidade de se atualizar e se adaptar a novas tecnologias são fatores que podem desencadear transtornos de ansiedade.

    2. Alta Expectativa e Pressão por Desempenho

    As expectativas crescentes e a pressão para manter um desempenho alto em um ambiente de trabalho competitivo também são causas significativas de ansiedade. Nos distritos de alta tecnologia, por exemplo, a rotatividade é alta e as demandas são intensas. Profissionais são constantemente desafiados a inovar e superar suas próprias limitações, o que pode levar ao esgotamento e ao desenvolvimento de transtornos de ansiedade.

    3. Impacto das Redes Sociais e Conectividade Constante

    As redes sociais e a conectividade constante, apesar de seus benefícios, também têm um papel crucial no aumento da ansiedade. A comparação contínua com a vida idealizada dos outros e a necessidade de estar sempre disponível e conectado podem aumentar a sensação de inadequação e pressão, contribuindo para o desenvolvimento de ansiedade.

    4. Mudanças Sociais e Econômicas

    Além das mudanças tecnológicas, outros fatores como o aumento da expectativa de vida, o declínio das taxas de natalidade e a desaceleração do crescimento populacional também influenciam o novo mercado de trabalho. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a taxa de desemprego e a precarização do trabalho são realidades que afetam profundamente o bem-estar dos indivíduos, gerando incertezas sobre o futuro e contribuindo para a ansiedade.

    5. Falta de Perspectiva e Instabilidade

    O conceito de "mundo líquido moderno", utilizado por Bauman (2004), ilustra a rapidez com que comportamentos e processos na sociedade moderna se iniciam e terminam, sem uma intenção de construção a longo prazo. Esta falta de perspectiva e estabilidade no emprego pode levar a um estado constante de ansiedade, onde o indivíduo sente que não tem controle sobre seu futuro profissional.

    6. Problemas Sociais no Ambiente de Trabalho

    Assédio, preconceito e discriminação são fatores sociais que têm um impacto profundo na saúde mental dos trabalhadores. O ambiente de trabalho, que deveria ser um lugar de colaboração e crescimento, muitas vezes se torna um espaço de conflito e estresse. O assédio moral e sexual, bem como o preconceito e a discriminação racial ou de gênero, podem criar um ambiente tóxico. Esses problemas sociais não apenas comprometem a produtividade e o bem-estar, mas também são gatilhos significativos para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade. A constante exposição a esses fatores pode levar a uma sensação de insegurança e desvalorização, afetando gravemente a saúde mental.

    7. Gerenciamento de Tempo e Sobrecarga de Trabalho

    Outro fator que contribui para o transtorno de ansiedade é a dificuldade de gerenciamento de tempo e a sobrecarga de trabalho. Em muitos casos, os profissionais são sobrecarregados com tarefas e prazos impossíveis de serem cumpridos dentro do horário de trabalho regular. Isso leva ao aumento das horas de trabalho, muitas vezes invadindo o tempo pessoal e de descanso. A incapacidade de equilibrar trabalho e vida pessoal resulta em exaustão e aumento dos níveis de ansiedade. O constante sentimento de estar "correndo contra o relógio" pode criar um ciclo vicioso de estresse e ansiedade que é difícil de quebrar.

    8. Gestão de Ansiedade e Adaptação

    Gerenciar a ansiedade em um ambiente de trabalho instável requer desenvolver atitudes adaptativas e autoconhecimento. Atitudes de carreiras proteanas e sem fronteiras, como mencionam Briscoe e Hall (2006), são essenciais. Elas enfatizam a importância do senso de identidade, valores pessoais e a capacidade de se adaptar a diferentes oportunidades de mercado.

    Conclusão

    O transtorno de ansiedade é multifatorial, resultante de uma combinação de mudanças tecnológicas, sociais e econômicas, além da pressão pessoal e profissional. Entender essas causas pode ajudar os indivíduos a buscar estratégias para gerenciar a ansiedade e se adaptar melhor às exigências do meio ou assumir conscientemente o que você considera sucesso para você, que pode ser diferente do que é exigido pelo meio em que está inserido. Se você sente que a ansiedade está impactando sua vida, considere buscar apoio psicológico para desenvolver ferramentas eficazes de enfrentamento e aumentar seu níveis de bem-estar.