O Transtorno de Défict de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é doença mas se não diagnosticado corretamente, pode impactar negativamente nos relacionamentos, carreira e segurança de pessoas adultas.

De acordo com Judy Singer, as diferenças neurológicas são normais e não devem ser vistas como uma doença ou algo incapacitante, no entanto,  os sintomas de TDAH podem persistir na idade adulta, tem impacto significativo nas relações interpessoais, na carreira profissional e mesmo na segurança pessoal dos indivíduos que apresentam esse transtorno, afirma a New York University and Ronald C. Kessler na puplicação sobre a Importância do Diagnóstico para os Adultos com TDAH .

Segundo Rohde et al. (2000), a prevalência do TDAH situa-se em torno de 3% e 6% entre crianças em idade escolar e caracteriza-se pela tríade desatenção, hiperatividade e impulsivida. O diagnóstico de TDAH em adultos ainda é baseado nos critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), que enfatizam a presença de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade desde a infância. No entanto, os sintomas podem se manifestar de forma diferente em adultos, como procrastinação, dificuldades na organização e gerenciamento de tempo, e problemas com tarefas que exigem atenção sustentada

Para o diagnóstico de TDAH em adultos, utiliza-se o Adult ADHD Self-Report Scale (ASRS), uma avaliação incial onde é observado os domínios de desatenção e hiperatividade-impulsividade em adultos, a partir daí, podemos aprofundar o diagnóstico, dependendo do resultado do teste de autoavaliação. Este teste inicial serve para triarmos a necessidade de uma investigação neuro psicológica mais profunda, onde observamos outros critérios como: idade precoce de início, antes dos 7 anos de idade (critério B), universalidade dos sintomas, isto é, manifestação em pelo menos dois ambientes diferentes (critério C), comprometimento funcional clinicamente significativo (critério D) e decisão clínica de os sintomas não serem mais bem atribuídos a outros transtornos (critério E), em especial transtornos do humor e ansiedade. Embora não seja amplamente utilizada na prática clínica, a neuroimagem funcional e a pesquisa de biomarcadores (como diferenças na conectividade funcional e na estrutura cerebral) estão emergindo como áreas promissoras de investigação para o diagnóstico e melhor compreensão da fisiopatologia do TDAH.

A investigação científica sugere apesar da grande incidêcnia do transtorno ser observado durante a infância e adolescência, os sintomas de TDAH podem persistir na idade adulta, com um impacto significativo nas relações interpessoais, na carreira profissional e mesmo na segurança pessoal dos indivíduos que apresentam esse transtorno. Por ser essa doença freqüentemente mal compreendida, muitos portadores não são corretamente tratados e, como conseqüência, nunca chegam a atingir seu potencial máximo. Em parte, isso se deve ao fato de que esta condição neurodivergente é de difícil diagnóstico, especialmente em adultos.


Tratamento de TDAH em Adultos

  1. Tratamento farmacológico:

    • Psicoestimulantes: O tratamento farmacológico mais comum continua sendo os psicoestimulantes, como o metilfenidato e as anfetaminas. Eles são eficazes para a maioria dos adultos e agem aumentando a disponibilidade de dopamina e norepinefrina no cérebro.
    • Medicamentos não estimulantes: Para aqueles que não respondem ou não toleram psicoestimulantes, medicamentos como a atomoxetina (um inibidor seletivo da recaptação de norepinefrina) e a guanfacina (um agonista alfa-2 adrenérgico) são alternativas.
  2. Tratamento psicoterapêutico:

    • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): A TCC tem mostrado eficácia no tratamento de TDAH em adultos, particularmente na melhora da auto-organização, habilidades de resolução de problemas e controle emocional. As intervenções são frequentemente focadas em estratégias comportamentais para lidar com a desatenção e a impulsividade.
    • Treinamento de habilidades sociais: Muitos adultos com TDAH relatam dificuldades em interações sociais, o que pode ser abordado por meio de intervenções que desenvolvem habilidades interpessoais.
    • Mindfulness e Meditação: Estudos recentes indicam que intervenções baseadas em mindfulness podem ajudar a melhorar a atenção e o controle emocional em adultos com TDAH.
  3. Intervenções tecnológicas:

    • Aplicativos de gerenciamento de tempo e foco: Softwares e aplicativos móveis que ajudam no gerenciamento de tempo, organização e estabelecimento de metas estão sendo cada vez mais utilizados para complementar o tratamento do TDAH.
    • Neurofeedback: Esta técnica envolve a autorregulação da atividade cerebral por meio de treinamento com feedback em tempo real. Embora os resultados ainda sejam mistos, alguns estudos sugerem que pode haver benefícios, especialmente em termos de regulação emocional e foco.
  4. Modificações no estilo de vida:

    • Exercício físico: O exercício regular, particularmente atividades aeróbicas, tem demonstrado melhorar os sintomas de TDAH, incluindo atenção, controle de impulsos e humor.
    • Alimentação: Há algumas evidências de que a dieta, como a redução do consumo de açúcares refinados e a inclusão de ácidos graxos ômega-3, pode ter efeitos positivos sobre os sintomas de TDAH.
    • Sono: Manter um sono adequado é crucial, uma vez que distúrbios do sono são comuns em adultos com TDAH e podem agravar os sintomas.7

    Tendências Recentes e Pesquisas Emergentes

    1. Pesquisa genética e biomarcadores: A genética está desempenhando um papel cada vez mais relevante no entendimento do TDAH, com estudos investigando variantes genéticas associadas ao transtorno. Há também o interesse crescente em biomarcadores que possam ajudar a distinguir o TDAH de outras condições neuropsiquiátricas.

    2. Psicoterapia online: O uso de plataformas de terapia online e intervenções digitais tem sido uma área de crescimento, oferecendo flexibilidade e acessibilidade para adultos com TDAH que podem ter dificuldade em participar de sessões presenciais.

    3. Pesquisa em neuroimagem: A neuroimagem está avançando na tentativa de identificar circuitos cerebrais específicos envolvidos no TDAH, como o córtex pré-frontal e os circuitos dopaminérgicos. Esses avanços podem, no futuro, ajudar a personalizar o tratamento e melhorar a precisão diagnóstica.

      Desafios e Oportunidades

      Embora o TDAH em adultos esteja sendo cada vez mais reconhecido e tratado, ainda existem desafios relacionados à estigmatização e à falta de acesso a tratamentos adequados. A pesquisa continua a evoluir, e novos métodos de diagnóstico e tratamento, especialmente no campo da neurociência e das intervenções tecnológicas, prometem melhorar os resultados para os pacientes.

      Neste link ( https://forms.gle/sBd9Tskvnh3YKBCV7) você pode fazer uma autoavaliação incial para saber se há a presença de sintomas indicativos para avaiação do TDAH ou entre em contato para agendar uma hora comigo.


      Boas energias,

      Fabiana Borges